sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mulher moderna.

Felicidade... o que realmente significava essa palavra?


Thaís chegava em casa, naquele apartamento espaçoso apenas para ela, um sentimento de vazio percorrioa-lhe o corpo. Vai jogando as peças de roupa pelo caminho, liga o chuveiro e entra na banheira para relaxar... e inevitavelmente passa sua vida pela cabeça... Tinha visto na entrada de seu prédio duas crianças brincando, seus pais abraçados, olhando-os carinhosamente.

Ela tinha 36 anos, acreditava que era feliz e, afinal, como poderia não ser? Tinha o emprego dos seus sonhos, morava bem, em um apartamento da zona luxuosa da cidade, tinha amigos, saía com eles praticamente todo o final de semana para uma balada ou um barzinho... Comia nos melhores restaurantes, visitava os melhores pontos turísticos e se mantinha ocupada a maior parte do dia. Saia com alguns homens, mas nunca tivera um relacionamento duradouro. Uma das mais prováveis causas era sua mania controladora, metódica e exigente, mas isso fora o principal motivo por ter crescido tão rapidamente no seu emprego, então não podia ser algo ruim. E, realmente, durante o dia não se sentia sozinha, estava sempre acompanhada, pessoas dependiam dela...

Mas era nessa hora, quando chegava em casa, via o quão solitária estava. Boa parte de suas amigas já tinham se casado, constituiam família, eram felizes... Família... talvez fosse disso que Thaís sentia falta. Como devia ser bom a sensação de ver seus filhos brincando, aprendendo a falar, a escrever... Participar da vida deles, poder ser a mãe que nunca tivera. Ter um marido que a amasse, que ajudaria a cuidar das crianças e, ao anoitecer, após colocá-las para dormir, estaria com ela. Devia ser realmente boa a sensação de ser amada, um abraço ou beijo dado com amor, não apenas paixão, como ela estava acostumada. De poder dar carinho, compartilhar as emoções, enfrentar juntos as dificuldades e celebrar as vitórias...

Mas ela tinha optado por não seguir esse rumo, e não sabia se devia se arrepender. Talvez, casada e com filhos, não pudesse ser hoje o que era, não seria um sucesso profissionalmente. De fato, conhecia muitas amigas que tinham largado ambições profissionais pela família, para participar mais ativamente dessa outra "profissão": ser mãe e esposa. Sabia também que elas não se arrependiam, pois eram realmente felizes. Mas não ela, Thaís seguia forte, seria um dia presidente da empresa, a família se tornou segundo plano. E agora, aos 36 anos, via que esse segundo plano talvez não se realizaria tão facilmente quanto ela pensara.

E deitada em sua grande cama, abraçada a um travesseiro, Thaís permitiu que uma lágrima rolasse por seu rosto, enxugando-a logo após, pois não podia permitir-se ser fraca.

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