sábado, 23 de abril de 2011

Insanidades dos apaixonados

Letícia estava feliz. Tão feliz quanto uma pessoa pode estar! E até mais, segundo ela mesma... Eu não entendia sua felicidade, não entendia como era realmente amar alguém, e ser amada de volta. Mais do que isso, se o que ela dizia era verdade, eu não entendia como era ter encontrado o amor de sua vida, a alma gêmea, etc... Era meio insano amar alguém assim, com toda a sua força, a ponto de dizer que não conseguiria viver sem a pessoa amada...

 
"Por que tantas pessoas acham estranho quando uma garota diz que não conseguiria viver sem um garoto ou vice-versa? Está tão difícil assim acreditar que duas pessoas tenham encontrado o amor?" -Dizia ela com uma convicção que raras vezes se via em seus olhos... "Não conseguir viver não quer dizer que o coração subitamente pararia de bater caso eles se separassem, mas é só que a vida não seria mais vida, entende? Viver implica em ser feliz, em agir, em ter esperanças, em lutar, em sorrir... Mas sem o amor, o que é a vida senão uma simples e vaga existência no mundo?! Sem o amor, o sorriso é falso, as lutas sem sentido, as esperanças vazias, as ações se tornam mecânicas e a felicidade, ah, a felicidade tende a nos deixar... Sim, sem ele eu não viveria, não haveria sentido para viver... Ele não é a razão da minha vida, ele é A minha vida, entende a diferença? "

 É, meio insano é pouco, mas ainda assim, confesso que tive um pouco de inveja, pois ela dizia tudo isso com uma determinação tão grande, com tanto amor e tendo a certeza de que viver sem seu grande amor não era uma possibilidade real...

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