Gabi terminava de ler mais um livro. Um livro de ficção e romance, do jeito que ela tanto gostava.
Suspirou em tantas páginas, derramou lágrimas em outras e, no final, terminou com aquela sensação gostosa no peito. O casal ficou junto, superou as dificuldades e provaram que o amor sempre vence! Gabriela gostava de finais felizes, gostava de casais que davam certo mesmo em meio a tantas provações e dificuldades, mas não conseguia deixar de lado a sensação do quão desnecessário era isso...
Por que eles sempre tem que enfrentar tantos obstáculos para provar o amor?
Leu de novo a parte em que a mocinha escondeu do mocinho que estava apaixonada por ele, para protegê-lo. Porque não falar a verdade? Assumir o que sente? Não via que ao esconder fazia o mocinho sofrer?
Lembrou-se da cena em que o mocinho viu o vilão beijar a mocinha, mas não viu que tinha sido de surpresa, e terminou com ela. Oras, não era claro que era uma armadilha? Porque não esperar mais um pouco e ver o tapa que a mocinha deu no vilão?
Começou então a pensar no próprio namoro. Ele daria um livro extremamente monótono, não tinha história o suficiente para isso. Apesar dos vários anos juntos, não havia vilões tentando separá-los, nem vários obstáculos no caminho. A família não era contra, os amigos apoiavam, não tinha uma grande barreira financeira entre eles. Ela e o namorado tinham confiança um no outro, eram sinceros e se entendiam. Acima de tudo, se amavam. E eram anos de um amor leve, facinho, gostoso.
E mesmo tendo um roteiro sem graça para os outros, para ela era melhor que qualquer livro ou filme que já tivesse visto. Afinal, não precisou esperar o final da história para ter seu felizes para sempre.
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