domingo, 30 de agosto de 2009

Máscara

Olhando para o papel, tentava não aparentar o que realmente sentia. Realmente, essa seria a hora de sorrir quando a vontade era de chorar, de brigar, de fugir. O que ela queria dizer com "acediar" ele? Como assim, ela ia dar em cima dele e eu teria que fingir que tudo bem?
Bom, talvez isso seja culpa minha, como ela poderia saber dos meus sentimentos se eu não os disse a ninguém? Mas mesmo assim, eu não esperava por isso. Pensei que ela estivesse gostando de outro garoto, até fiquei mais aliviada quando soube, mas de repente me vem essa. O que eu devia fazer? Estava tão confusa que talvez ela percebesse, mas acredito que ela associou à surpresa de tal fato. E agora? eu agiria normalmente? Mas ela quer que eu a ajude... Ela quer ficar sozinha com ele pra poder conversar... E agora, o que eu faço?
Bateu o sinal do intervalo, ficamos só nós três. Percebi que se não saísse dali rápido ela iria me fuzilar com os olhos, resolvi ir ao banheiro, com o coração na mão. Não queria deixá-lo sozinho com ela, mas não tinha real opção, exceto que quisesse me entregar. Mas talvez fosse bom saber a reação dele de uma vez, assim eu não prolongaria meu sofrimento inevitável, ou aumentaria minhas esperanças.
Voltei do banheiro e a encontrei sozinha. Um monstro então cantou vitorioso em meu peito, por mais que eu quisesse calá-lo, sabia que não era certo ficar feliz com a tristeza de uma amiga, mas bem no fundo eu fiquei.
Na aula eu a vi novamente flertando com ele, e com um pouco de satisfação o vi tentar evitar os flertes. Até que ela me disse algo que fez meu coração parar: "Ele tá afim de você." Será que ela estava falando sério? Comecei a rir, porque afinal, a "máscara" não podia cair de meu rosto. Sei que sou uma péssima mentirosa, mas dessa vez teria que funcionar. Brinquei com isso, mas no fundo estava querendo muito que fosse verdade.

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