Por que, raios, ela estava debruçada sobre aquela folha em branco, com a caneta na mão, a espera de uma ideia? Não era poeta, Maria Clara bem sabia disso, então por que ainda insistia em tentar? Horas e horas desperdiçadas sobre a escrivaninha antiga que ficava em seu quarto, retirara todas as coisas que a pudessem distrair dali e, agora, seus ursinhos, maquiagem, acessórios e algumas coisas indefinidas e coloridas repousavam sobre sua cama, aguardando retornar para seus lugares de origem. Mas ao que parecia, nada funcionava e a espera não estava chegando ao fim...
Não fora sempre assim... Houve um período em que ela escrevia as mais lindas poesias, sem hesitar simplesmente deixava a ideia fluir da cabeça para as mãos, e delas para a caneta e para o papel. O que ela tinha naquela época que deixara de ter agora? O melhor era perguntar o que ela tinha agora que não tinha antes... Ela estava feliz! Verdadeiramente feliz.
Talvez isso seja apenas um devaneio a mais, porém desde que conhecera a felicidade deixara de escrever com tanta facilidade. Poesias talvez sejam uma manifestação da alma que busca preencher o vazio com algo, e as palavras tinham essa capacidade. Mas agora que perderam seu sentido aumentaram as dificuldades e Maria Clara não sabia o que fazer. Gostava de escrever, sem isso perdia sua identidade.
Estava confusa... quem era ela? o que queria? Não conseguia escrever, mas tinha sentimentos nunca antes sonhados, cuja definição parecerá sempre vaga, palavra alguma definiria o que se passava dentro dela. Talvez por isso também tenha encontrado mais dificuldade para escrever. Percebia agora o quão vagas eram os sentimentos descritos, procurava novas formas de representá-los melhor, mas parecia ser em vão.
Maria Clara não era mais uma poeta, era mais do que isso: Maria Clara era amada e amava, se tornara uma romântica apaixonada.
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