quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Injustamente

Encolhida no canto de seu quarto, com sua pequena irmã ao seu lado, Luana chorava. Doia-lhe muito, mas não uma dor física, eram os seus sentimentos que tinham sido machucados. Acabara de ser punida injustamente, por querer manter a sua palavra e não ser influenciada por estar pressionada, por estar sedo irritada. Ela não acreditava que aquela era a forma correta de conseguir algo: irritando, infernizando a vida até que a outra pessoa perdesse a paciencia e aceitasse. Não, ela não se negaria se pedissem-lhe educadamente, mas não, ele preferiu tentar da maneira mais dificil, desafiando-lhe, e ela, logicamente, não permitiu-se desistir. Então, aquela por quem sempre tivera tanto respeito e admiração lhe punira juntamente com seu irmão, punira-lhe por não ter feito nada alem de tentar manter sua palavra. Quando fazia algo de errado e puniam-lhe ela aceitava, pois sabia do seu erro, mas como doia ser punida injustamente.
Luana sempre foi assim, gostava de ter suas opiniões firmes, não gostava quando tentavam lhe impor outras coisas, não se deixava influenciar facilmente. Mas percebia agora o quanto sempre tentavam mudar suas decisões e, se ela tivesse aceitado essas sugestões, hoje seria muito mais infeliz. Então por que não aceitavam o que ela queria? Quando ela errada em suas escolhas? Nunca de tal modo que se arrependesse delas, mas seus pais, seus próprios pais, não percebiam isso. Não se importavam com o que ela queria.
E, por um momento, pensou que se ela não existisse tudo seria mais fácil. Mas mal essa ideia lhe passou pela cabeça viu a face de sua irmã ao seu lado, e se perguntou como seria a vida dela se Luana simplesmente deixasse de existir. Lembrou-se também de seu avô, iria ele aguentar mais uma perda? Então veio a imagem do namorado, e subitamente desistiu da ideia. Não, não seria capaz de inflingir dor alguma a ele.
Então ela decidiu-se: continuaria a existir, mas em casa talvez o melhor seria calar-se, aceitar, mesmo que não a deixasse feliz, talvez fosse o melhor. Não queria brigar ou desrespeitar ninguém, era tola por não reclamar, não lutar pelo que queria, mas no momento era o que ela acreditava ser o melhor.

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