Com certeza essa foi uma longa e exaustiva semana para Elena. Seu pai viajara a 5 dias para o enterro de sua bisavó e até agora não ligou, deixou apenas uma mensagem dizendo que chegou são e salvo. Sua mãe, por sua vez, estava cada dia mais extressada com os problemas do trabalho, acentuados pela ausência de seu pai. Elena discutira com sua mãe, irmão e tia, ou melhor, guardara para si a raiva e a frustração com eles, pois não conseguia discutir de verdade. Sua irmã estava doente, então ela tinha que tomar um cuidado dobrado com ela, e no lugar do final de semana em que ela iria passar no sítio com seus amigos, lá estava ela, em casa, bancando mais uma vez a babá.
Ligou o chuveiro e tentou relaxar, sentindo apenas as gotas caindo sobre seu corpo, tentou não pensar em nada. E, tentando não pensar em nada, sua mente vagou diretamente para ele. Sim, a semana não tinha sido das melhores, mas Elena sorria por lembrar dele. Pensar que ele a amava, quase tanto quanto ela o amava, a deixava mais feliz, mais confiante. Fazia tudo ficar um pouquinho melhor.
Fazia uma semana que ela não o via, a saudade doia-lhe o peito, mas eles ainda estavam juntos, não fisicamente, mas ela podia senti-lo dentro de seu peito. O mundo podia estar desabando, mas esse simples fato a reconfortava: ela amava e era amada.
E Elena sorria, bobamente, embaixo do chuveiro, sentindo a água acariciar-lhe, sorria honestamente para si mesma.

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