terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ter ou não ter namorado - Carlos Drummond de Andrade

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Coisas vividas.

Já sorri para quem não merecia meu sorriso
Já chorei por quem não merecia minhas lágrimas
Já briguei com quem só merecia meu carinho
Já falei quando devia ficar calada
Já calei quando deveria falar
Já pensei quando deveria agir
E já agi quando deveria pensar.
Já briguei por causas perdidas, e ganhei pela insistência
Já desisti de batalhas ganhas por medo de perdê-las
Por vezes acertei quando achava que erraria
E errei quando achava que acertaria.
Já menti para não magoar alguém
E já magoei pessoas por medo de dizer a verdade.
Tive medo de magoar as pessoas
Sofri para não fazê-las sofrer
Mas é inevitável fazer alguém sofrer por não controlar seus sentimentos.
Já quis mandar em meu coração
Mas aprendi que tem coisas que é melhor não controlar
E deixar o tempo decidir o melhor.
Já tive medo de sonhar
E sofrer ainda mais com a realidade.
Já me iludi sem querer
Já causei minha ilusão
Já menti pra mim mesma de tal forma que comecei a acreditar.
Já cometi diversas vezes o mesmo erro
Aprendi com eles
E também com o erro dos outros
Mas diversas vezes tive que errar por mim mesma para aprender verdadeiramente a lição

A vida é um jogo, você tem que saber como jogar, mas a única maneira de aprender as regras é jogando, e diversas vezes perdendo, até entender as regras. Mas o importante é estar sempre atento, pois essas regras mudam a cada dia, mas o que você aprendeu jamais é perdido. Uma sabedoria a mais só te ajudará a vencer mais vezes, mas saiba sempre que há grandes chances de perder e que nunca se deve desistir completamente desse jogo.

Pois como diz o ditado:
Cair é humano, mas levantar-se é divino!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Um ponto de luz na escuridão



Com certeza essa foi uma longa e exaustiva semana para Elena. Seu pai viajara a 5 dias para o enterro de sua bisavó e até agora não ligou, deixou apenas uma mensagem dizendo que chegou são e salvo. Sua mãe, por sua vez, estava cada dia mais extressada com os problemas do trabalho, acentuados pela ausência de seu pai. Elena discutira com sua mãe, irmão e tia, ou melhor, guardara para si a raiva e a frustração com eles, pois não conseguia discutir de verdade. Sua irmã estava doente, então ela tinha que tomar um cuidado dobrado com ela, e no lugar do final de semana em que ela iria passar no sítio com seus amigos, lá estava ela, em casa, bancando mais uma vez a babá.
Ligou o chuveiro e tentou relaxar, sentindo apenas as gotas caindo sobre seu corpo, tentou não pensar em nada. E, tentando não pensar em nada, sua mente vagou diretamente para ele. Sim, a semana não tinha sido das melhores, mas Elena sorria por lembrar dele. Pensar que ele a amava, quase tanto quanto ela o amava, a deixava mais feliz, mais confiante. Fazia tudo ficar um pouquinho melhor.
Fazia uma semana que ela não o via, a saudade doia-lhe o peito, mas eles ainda estavam juntos, não fisicamente, mas ela podia senti-lo dentro de seu peito. O mundo podia estar desabando, mas esse simples fato a reconfortava: ela amava e era amada.
E Elena sorria, bobamente, embaixo do chuveiro, sentindo a água acariciar-lhe, sorria honestamente para si mesma.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

E como faz para o tempo passar mais rápido?

A tua ausência está consumindo minhas forças, viver sem ti não é viver.


Preciso de você, e preciso logo!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Injustamente

Encolhida no canto de seu quarto, com sua pequena irmã ao seu lado, Luana chorava. Doia-lhe muito, mas não uma dor física, eram os seus sentimentos que tinham sido machucados. Acabara de ser punida injustamente, por querer manter a sua palavra e não ser influenciada por estar pressionada, por estar sedo irritada. Ela não acreditava que aquela era a forma correta de conseguir algo: irritando, infernizando a vida até que a outra pessoa perdesse a paciencia e aceitasse. Não, ela não se negaria se pedissem-lhe educadamente, mas não, ele preferiu tentar da maneira mais dificil, desafiando-lhe, e ela, logicamente, não permitiu-se desistir. Então, aquela por quem sempre tivera tanto respeito e admiração lhe punira juntamente com seu irmão, punira-lhe por não ter feito nada alem de tentar manter sua palavra. Quando fazia algo de errado e puniam-lhe ela aceitava, pois sabia do seu erro, mas como doia ser punida injustamente.
Luana sempre foi assim, gostava de ter suas opiniões firmes, não gostava quando tentavam lhe impor outras coisas, não se deixava influenciar facilmente. Mas percebia agora o quanto sempre tentavam mudar suas decisões e, se ela tivesse aceitado essas sugestões, hoje seria muito mais infeliz. Então por que não aceitavam o que ela queria? Quando ela errada em suas escolhas? Nunca de tal modo que se arrependesse delas, mas seus pais, seus próprios pais, não percebiam isso. Não se importavam com o que ela queria.
E, por um momento, pensou que se ela não existisse tudo seria mais fácil. Mas mal essa ideia lhe passou pela cabeça viu a face de sua irmã ao seu lado, e se perguntou como seria a vida dela se Luana simplesmente deixasse de existir. Lembrou-se também de seu avô, iria ele aguentar mais uma perda? Então veio a imagem do namorado, e subitamente desistiu da ideia. Não, não seria capaz de inflingir dor alguma a ele.
Então ela decidiu-se: continuaria a existir, mas em casa talvez o melhor seria calar-se, aceitar, mesmo que não a deixasse feliz, talvez fosse o melhor. Não queria brigar ou desrespeitar ninguém, era tola por não reclamar, não lutar pelo que queria, mas no momento era o que ela acreditava ser o melhor.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sol




Refletia muito enquanto estava longe dele. Ah, como Sophia se angustiava com o tempo em que ficavam sem se ver, sem se falar... Parecia que nada tinha graça sem ele, ele era o alvo de seus pensamentos, o centro de seu universo, o seu sol particular.


Sim, um sol, talvez isso consiga representar um pouco o que aquele garoto representava para Sophia. O centro de seu universo, com ele, ela se sentia aquecia, bem, feliz, talvez ele realmente fosse até melhor que um sol. Ele brilhava aos olhos dela, e por incrível que pareça, como o sol, ao invés de fazer as coisas ao seu redor se ofuscarem devido ao brilho, ele iluminava tudo, fazia o mundo ter sentido, a vida ter mais luz, e fazia-a sorrir facilmente, sentir-se feliz como ninguém. E quando ele não estava presente era como um sol escondido atrás de densas nuvens, tudo ficava mais escuro, não dava vontade de fazer nada, nem de sorrir. Havia outras coisas que fazer, como se distrair, mas nada como se ele estivesse lá, presente, com ela.


Ela, pensando bem, gostaria de se comparar com a lua. Poderia até, pois dependia dele, do seu sol. Se ele não existisse, ela não poderia brilhar, nada existiria, ela seria ofuscada e não seria nada. Também gostaria de ser uma lua, pois ela inspira os apaixonados, e ela gostaria de inspira-lo, embora não se achasse digna de ser comparada com a beleza da lua. Um problema em ser a lua era a distância que ela ficava do sol, sempre que um surgia, o outro se escondia, e não, isso ela não aguentaria.


E o sol era lindo, como o brilho nos olhos de seu amor, como ele próprio, era lindo. Ela podia ver, por detrás de seus olhos, a face dele, quase podia sentir seu toque, seu beijo. Via seu sorriso, aquele que a encantava tanto, e em seu coração ela sentia um aperto, de saudade, de amor. Ela o amava, isso era uma certeza, e se sentia feliz, pois ele também a amava.


E Sophia não sabe bem quando essa reflexão passou a ser sonho, mas a próxima coisa que ouviu foi o despertador tocar, abriu a janela e viu o sol brilhar, mais forte que nunca, e se sentiu feliz, pois hoje veria seu amado.